Saiu o Imaginando Imagens nº2

Postado em Análise Fotográfica, Artes Plásticas, Periódico com as tags , , , , , , em outubro 8, 2010 por imaginandoimagens
Saiu o Imaginando Imagens nº2

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Saiu o Imaginando Imagens de Julho

Postado em Periódico com as tags , , , , , , , em agosto 29, 2010 por imaginandoimagens

 

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Saiu o periódico Imaginando Imagens. Para visualizar o primeiro número do mês de Julho, clique na imagem acima e acesse-o via issuu.

Os Tios Que Há Em Mim

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , em julho 14, 2010 por imaginandoimagens

Por existir um parentesco tão colateral, há tios que não cheguei a conhecer em vida. A lembrança destes é peculiarmente pictórica pois alguns dados biográficos se revelaram de forma velada. Cabe à imaginação suprir essas lacunas. Assim, percebi certas semelhanças com a minha pessoa que somente seria possível através do imaginário.

Por parte de mãe, este meu tio era leitor de Dostoievski e sempre foi visto tocando gaita. De caráter extrovertido, suas atitudes parecem ter sido pouco compreendidas em vida. Diria talvez que ele viveu como um personagem do livro do velho russo.

Por parte de pai, este meu tio foi músico de uma banda de relativo sucesso aqui no Recife. Soube recentemente ao me deparar com suas imagens, que muito novo ele foi o intermediário entre minha avó e São José no pagamento de uma promessa. Sua personificação é de uma coragem e criatividade que muito me inspira.

É difícil saber se essa transmissão de impressões se dá a partir de quando nos deparamos com a imagem ou se é algo sanguíneo. Conhecer nossas origens traz sentido e dá a sensação de pertencimento a um tipo de linhagem. Uma direção que se ramifica, mas que é fruto de uma mesma árvore, talvez até um mesmo solo. A impressão que passa é que o meu eu está além do que existe em mim, seja em imagem, em pensamentos, em oratórias…

Venho aqui fazer vênia e reforçar o memorial daqueles que fizeram a felicidade dos meus pais e de nossas famílias. Ser tio é criar paralelamente e compartilhar tanto carinho à prole do irmão quanto o destinado a este último.

Vinicius Meireles

14/07/10

Perdido em profundidade

Postado em Artes Plásticas com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , em junho 13, 2010 por imaginandoimagens

“Perdido” da artista Flávia Aguilera, é um bom exemplo de questões da nossa modernidade. Seja no ato de não se encontrar, seja na diluição de crenças e valores. Dissolução esta, representada pelos traços marcados da tinta acrílica. Quem sabe uma escolha da autora por secar, fixar rapidamente possíveis ideais tão raros atualmente?

A obra pode não estar finalizada – até porque a discussão é rentável -, já que provavelmente ela surgiu de um esboço de título sugestivo “deixa pra lá…”, porém a técnica mista parece ter alcançado a maturidade ao combinar tons frios e apagados com tons quentes que criam uma silhueta em torno da figura. Seriam estes (o amarelo ouro), pequenos símbolos de algo em que se agarrar, de merecida retenção? Ora, como formular uma única resposta se o nevo do aguado é manipulador e o movimento do objeto é cíclico? Impossível se deparar com uma saída. Já me parece custoso delimitar tamanha profundidade e distinguir o que é ébrio de sóbrio.

Saúdo a artista pois não é ela quem possui o método para explicar tantas celeumas contemporâneas. A reverencio já que ela, por ser uma imaginadora, deve fustigar, vibrar de forma incisiva as cordas que regem nossa sensibilidade. Assim, nos deteremos diante do visível com necessária capacidade criativa. Jamais a profundidade se estreitará à tirania das molduras.

http://www.flickr.com/flaviaflavia

Vinicius Meireles

13/06/10

1931

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , em maio 23, 2010 por imaginandoimagens
1931

1931

Abrir um velho álbum de família é mergulhar numa imensidão em que acreditamos alcançar a superfície depois de fechá-lo. Lembramos, imaginamos um tempo em nossas vidas. Mesmo que não seja a nossa imagem ali retratada, tendemos a traçar paralelos, a buscar aquilo que já se foi. Nos sentimos seguros com documentos que reafirmem nossa existência.

Mas por que nos identificamos com marcas em um papel? Por que ele representa algo para nós? Que houve em 1931? Existiu 1931?

Para esta que posou, se olhou e dedicou, existiu.

Ela está morta. Porém, estranhamente ela nos devolve o olhar. Sorri e, em agradecimento, fechamos o álbum. Aquela inquietação que no início nos levou a abri-lo parece ter também falecido e enterramos o velho livro de imagens junto às poeiras de uma estante.

Cruzando os portões deste maldito cemitério, indagamos qual a possível causa da morte: teria sido algum tipo de dilaceração? De fato, alguém tentou, mas ao invés de anular o todo com a separação de suas partes, findou por criar novas realidades.

Na imagem, a narrativa não se dá por começo, meio e fim. Jamais um corte interromperia seus significados. Ela está em marcas, em pontilhados. Não é lida da esquerda para a direita – é imaginada de acordo com a profundidade do que se vê. Sua moldura não estabelece limites – sugere um pouco de nossa atenção.

Vinicius Meireles

22/05/10

O Beberrão

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em abril 30, 2010 por imaginandoimagens

em passira

Tudo o que ele quer é um tanto de sua atenção. Apesar da aparente indiferença à lente e do fim sugestivo à garrafa, não é esse o objetivo do beberrão. Ele chora, gesticula, dramatiza, até dança se percebe que assim vai ser compreendido, mas no fundo, no fundo só quer que você o olhe nos olhos. Não fique consternado ao ver seus olhos vermelhos em lágrimas. Não lhe dê dinheiro. Mesmo que ele use do álcool como meio para chegar até você (e foi esse o meio que você também buscou para chegar até o mesmo) não é a bebida o seu fim. O seu fim é compartilhar algo com você. É um minuto de seu precioso tempo. É um pequeno prazer que ele já não encontra mais na garrafa. É um instante de salvação, de revelação. É uma pequena criança que ainda não encontrou a resposta aos “por quês”.

Foto em Passira com um ilford 50 rebobinado.

Vinicius Meireles

30/04/10

Ode à imagem latente

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em março 12, 2010 por imaginandoimagens

Férias por Fabíola Melo

Latente se entende por aquilo que não se vê mas que quando o momento é favorável, se manifesta. Nesta imagem de Fabíola Melo intitulada “Férias”, o uso do filme enquanto meio/suporte para a criação artística seria o responsável pela oportunidade do instante referido anteriormente.

No entanto, o filme tem um caráter definitivo para a imaginação fluir, considerando uma latência eterna na mente do produtor e do referente sensível a isto. Pois, somente quem fotografa com filme é emocional em perceber o quanto os signos na imagem significam na mente de quem participou da mesma.

Muitos consideram apenas a questão da ansiedade. De fato, esta tende a acelerar o processo de apreciação da fotografia. Porém, a latência necessita de gestação. O Tempo responde a tudo, é engano ousar se sobrepor a ele, o Soberano. O que fez a imagem digital, senão exasperar a gravidez e, não raro, ocasionando um aborto?

Os signos no discurso de Fabíola poderiam ser óbvios:

  • o tom esverdeado remete à maturidade, consequente de uma ruminação necessária para existir
  • a flor que, neste contexto, reforça a ideia bucólica da simplicidade, tranquilizando o olhar
  • uma entrada de luz simbólica que reitera o texto acima, juntamente com o fundo desfocado, ambientando toda a arte com uma atmosfera onírica
  • e, por último, a pose da modelo que em estado fetal não contradiria o significado de tudo isso, fazendo ultrapassar a superfície do óbvio para os âmagos do que é profundo.

Sendo assim, os signos reforçam o que é perspicaz – fazer ode ao carinho que existe ao se trabalhar com a película, gelatina que revela e que significa muito mais quando a criação faz mesura ao Tempo (aquele que torna possível). A ideia se concretiza, se revela o desenvolvimento, o sentimento vira amor e a semente vira fruto.

Vinicius Meireles

11/03/10

http://www.flickr.com/fabiolamelo

Um casal no fim de semana

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , , , , , , , em março 6, 2010 por imaginandoimagens

foto por Vinicius Meireles

Num casarão requintado sempre limpo e organizado, numa grande cidade do Brasil, vivia há sete anos e sem filhos um casal: a mulher, de família rica e tradicional e o marido, empresário.
Por conta das atividades sociais dela e das reuniões de negócios dele, conviviam apenas nos finais de semana.
Uma noite ela informou ao marido, altivamente:
- O casal Rodrigues Prado nos convidou para Búzios e eu irei!
- Pode ir que tenho trabalho no fim de semana (mal desviando a vista do jornal de negócios).
E ela viajou sozinha.
No sábado à noite ele foi tomar uns drinques com alguns amigos e conheceu uma mulher simpática, simples e charmosa.
Um ano depois, já divorciado, abraçava e beijava a sua nova e charmosa mulher que arrumava o quarto para o primeiro filho deles.

Por Jackson Franco

http://literaturagara.blogspot.com/2008/12/um-casal-no-fim-de-semana.html

O Bom Ladrão

Postado em Artes Plásticas com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em fevereiro 28, 2010 por imaginandoimagens

 

Saint Genet

 

A figura de Saint Genet me inspirou a falar de Literatura e Arte. Pois, ao falar de imagem, estou tomando ares de literata. Apenas ares, pois um semblante como o desta criatura, debochado, eu nem me atrevo a desempenhar.

Sua obra é pouco conhecida, já que eu dificilmente encontro pessoas que se desdobrem sobre a mesma. Marginal, Genet não procurou os meios convencionais para se dignificar como um homem. Muitos o imaginam com a alcunha de “santo” pois se há uma canonização em torno de sua aura, esta se deu através do sofrimento e da rejeição aos valores comuns da sociedade..

Sendo assim, que vemos neste rabisco acima? Uma expressão de pouco caso com o momento da pose. Apesar de se tratar de uma mera reprodução, percebemos nela elementos característicos de Jean Genet: a boca fina e turva que indica seu cinismo, a calvície prematura que o confere uma faces mais maturo ao que de fato é, um cenho um tanto franzido da altivez de muitos dos seus personagens ( Querelle, Divina, Nossa Sra. Das Flores, entre outros) e, restando por último, um traço que faço questão de utilizar mais um parágrafo.

Muitas das sombras de profundidade do presente desenho revelariam marcas do sofrimento que Genet suportou como ninguém. Sua aparência é um tanto quanto ridícula, mas há muito na feição desse homem que o eleva a patamares que poucos alcançaram na Arte. Quem poderia ter enfrentado a fome, o preconceito, a vida nas ruas e nos presídios como o nosso Bom Ladrão em questão?

Ao lado de Cristo, não sei se esse santo hoje em dia repousa, mas tal mártir possivelmente dormiria em leitos de luxúria e prazer como nos instantes de ápice que seus personagens representaram para nós. A nossa imaginação é como este rabisco: reverencia o Homem, no entanto suas imperfeições não abalam a imagem do que ele é. Ele, mais do que ninguém, nos dá o exemplo da delícia e da dor de optar por viver os próprios sonhos e não os sonhos de outrem.

Vinicius Meireles

27/02/2010

Teorias do “Espelho do Real”

Postado em Análise Fotográfica com as tags , , , , , , , , , , , , , em janeiro 6, 2010 por imaginandoimagens

Foto por Adolfo Santos

Viajei com Adolfo Santos, o autor desta imagem, em meados de 2008 e

2009, para o litoral de Tamandaré. Adolfo me pareceu sempre o meu oposto: uma criatura impulsiva de criações imediatas que contrastavam com o meu semblante metódico e pensativo. No entanto, aconteceu de algo me induzir e me atrair a seguir caminhos parecidos com os seus.

Em um dos nossos passeios pela praia, testávamos a velocidade B em nossas câmeras com o auxílio de tripés. Em plena escuridão, nosso guia era o luar e o eco de nossas vozes. Avistamos um pequeno barco ancorado próximo às margens e fincamos nossos tripés e câmeras naquelas areias fofas. Captamos imagens que vão de encontro à ideia de fotografia enquanto espelho do real como essa fotografia realizada por meu amigo em questão.

O horizonte parece ter pernas que bambeiam. Da paleta de nossa imaginação, deu-se que o céu acolhesse uma cor entre o azul e o roxo. O barco emitiu um reflexo que a velocidade B revelou que , se assim fosse possível, jamais convenceriam os teóricos de antigamente a acreditar nas teorias do “Espelho do Real”.

Maravilhado ficou o meu parceiro Adolfo ao ver o resultado da imagem em seu visor. Parecia uma criança com um novo brinquedo. Talvez por isso o barco tenha esta aparência lúdica e esta cor que fascinam a imaginação de seres que não são guiados pela racionalidade de quaisquer teorias.

Felizes serão aqueles que confiam em seus instintos e nunca abaixam a cabeça diante do que lhes é desconhecido e intrigante!

Vinicius Meireles

06/01/2010


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