Saiu o Imaginando Imagens nº2
Postado em Análise Fotográfica, Artes Plásticas, Periódico com as tags "alysson maria", "arte conceitual", "educação liberal", "Isaac Filho", "Seminarista Vladimir Francisco", "vinicius meireles", Imaginando Imagens em outubro 8, 2010 por imaginandoimagensSaiu o Imaginando Imagens de Julho
Postado em Periódico com as tags "Isaac Filho", "Joaz Silva", "Seminarista Vladimir Francisco", "vinicius meireles", arte, Cultura, Imaginando Imagens, Periódico em agosto 29, 2010 por imaginandoimagensOs Tios Que Há Em Mim
Postado em Análise Fotográfica com as tags "são josé", "vinicius meireles", dostoievski, família, gaita, memoria, personagem, promessa, tio em julho 14, 2010 por imaginandoimagensPor existir um parentesco tão colateral, há tios que não cheguei a conhecer em vida. A lembrança destes é peculiarmente pictórica pois alguns dados biográficos se revelaram de forma velada. Cabe à imaginação suprir essas lacunas. Assim, percebi certas semelhanças com a minha pessoa que somente seria possível através do imaginário.
Por parte de mãe, este meu tio era leitor de Dostoievski e sempre foi visto tocando gaita. De caráter extrovertido, suas atitudes parecem ter sido pouco compreendidas em vida. Diria talvez que ele viveu como um personagem do livro do velho russo.
Por parte de pai, este meu tio foi músico de uma banda de relativo sucesso aqui no Recife. Soube recentemente ao me deparar com suas imagens, que muito novo ele foi o intermediário entre minha avó e São José no pagamento de uma promessa. Sua personificação é de uma coragem e criatividade que muito me inspira.
É difícil saber se essa transmissão de impressões se dá a partir de quando nos deparamos com a imagem ou se é algo sanguíneo. Conhecer nossas origens traz sentido e dá a sensação de pertencimento a um tipo de linhagem. Uma direção que se ramifica, mas que é fruto de uma mesma árvore, talvez até um mesmo solo. A impressão que passa é que o meu eu está além do que existe em mim, seja em imagem, em pensamentos, em oratórias…
Venho aqui fazer vênia e reforçar o memorial daqueles que fizeram a felicidade dos meus pais e de nossas famílias. Ser tio é criar paralelamente e compartilhar tanto carinho à prole do irmão quanto o destinado a este último.
Vinicius Meireles
14/07/10
Perdido em profundidade
Postado em Artes Plásticas com as tags "flavia aguilera", "técnica mista", "tinta acrílica", "vinicius meireles", acrílico, aguado, artista, celeuma, crença, criatividade, diluição, flickr, maturidade, modernidade, moldura, profundidade, valor em junho 13, 2010 por imaginandoimagens

“Perdido” da artista Flávia Aguilera, é um bom exemplo de questões da nossa modernidade. Seja no ato de não se encontrar, seja na diluição de crenças e valores. Dissolução esta, representada pelos traços marcados da tinta acrílica. Quem sabe uma escolha da autora por secar, fixar rapidamente possíveis ideais tão raros atualmente?
A obra pode não estar finalizada – até porque a discussão é rentável -, já que provavelmente ela surgiu de um esboço de título sugestivo “deixa pra lá…”, porém a técnica mista parece ter alcançado a maturidade ao combinar tons frios e apagados com tons quentes que criam uma silhueta em torno da figura. Seriam estes (o amarelo ouro), pequenos símbolos de algo em que se agarrar, de merecida retenção? Ora, como formular uma única resposta se o nevo do aguado é manipulador e o movimento do objeto é cíclico? Impossível se deparar com uma saída. Já me parece custoso delimitar tamanha profundidade e distinguir o que é ébrio de sóbrio.
Saúdo a artista pois não é ela quem possui o método para explicar tantas celeumas contemporâneas. A reverencio já que ela, por ser uma imaginadora, deve fustigar, vibrar de forma incisiva as cordas que regem nossa sensibilidade. Assim, nos deteremos diante do visível com necessária capacidade criativa. Jamais a profundidade se estreitará à tirania das molduras.
http://www.flickr.com/flaviaflavia
Vinicius Meireles
13/06/10
O Beberrão
Postado em Análise Fotográfica com as tags "ilford 50", "olhar nos olhos", "vinicius meireles", atenção, álcool, bêbado, beberrão, bebida, choro, criança, dança, dinheiro, drama, garrafa, lagrima, passira, prazer, revelação, salvação, tempo em abril 30, 2010 por imaginandoimagensTudo o que ele quer é um tanto de sua atenção. Apesar da aparente indiferença à lente e do fim sugestivo à garrafa, não é esse o objetivo do beberrão. Ele chora, gesticula, dramatiza, até dança se percebe que assim vai ser compreendido, mas no fundo, no fundo só quer que você o olhe nos olhos. Não fique consternado ao ver seus olhos vermelhos em lágrimas. Não lhe dê dinheiro. Mesmo que ele use do álcool como meio para chegar até você (e foi esse o meio que você também buscou para chegar até o mesmo) não é a bebida o seu fim. O seu fim é compartilhar algo com você. É um minuto de seu precioso tempo. É um pequeno prazer que ele já não encontra mais na garrafa. É um instante de salvação, de revelação. É uma pequena criança que ainda não encontrou a resposta aos “por quês”.
Foto em Passira com um ilford 50 rebobinado.
Vinicius Meireles
30/04/10
Ode à imagem latente
Postado em Análise Fotográfica com as tags "entrada de luz", "fabiola melo", "fundo desfocado", "imagem digital", "imagem latente", "vinicius meireles", aborto, amago, amor, ansiedade, arte, atmosfera, bucolico, carinho, criação, desenvolvimento, digital, discurso, férias, feto, filme, flickr, flor, fotografia, fruto, gelatina, gestação, gravidez, ideia, imaginação, instante, latência, latente, maturidade, mente, momento, olhar, onirico, pose, processo, produtor, referente, ruminação, semente, sentimento, significado, signo, simplicidade, superficie, tempo, texto, tom em março 12, 2010 por imaginandoimagensLatente se entende por aquilo que não se vê mas que quando o momento é favorável, se manifesta. Nesta imagem de Fabíola Melo intitulada “Férias”, o uso do filme enquanto meio/suporte para a criação artística seria o responsável pela oportunidade do instante referido anteriormente.
No entanto, o filme tem um caráter definitivo para a imaginação fluir, considerando uma latência eterna na mente do produtor e do referente sensível a isto. Pois, somente quem fotografa com filme é emocional em perceber o quanto os signos na imagem significam na mente de quem participou da mesma.
Muitos consideram apenas a questão da ansiedade. De fato, esta tende a acelerar o processo de apreciação da fotografia. Porém, a latência necessita de gestação. O Tempo responde a tudo, é engano ousar se sobrepor a ele, o Soberano. O que fez a imagem digital, senão exasperar a gravidez e, não raro, ocasionando um aborto?
Os signos no discurso de Fabíola poderiam ser óbvios:
- o tom esverdeado remete à maturidade, consequente de uma ruminação necessária para existir
- a flor que, neste contexto, reforça a ideia bucólica da simplicidade, tranquilizando o olhar
- uma entrada de luz simbólica que reitera o texto acima, juntamente com o fundo desfocado, ambientando toda a arte com uma atmosfera onírica
- e, por último, a pose da modelo que em estado fetal não contradiria o significado de tudo isso, fazendo ultrapassar a superfície do óbvio para os âmagos do que é profundo.
Sendo assim, os signos reforçam o que é perspicaz – fazer ode ao carinho que existe ao se trabalhar com a película, gelatina que revela e que significa muito mais quando a criação faz mesura ao Tempo (aquele que torna possível). A ideia se concretiza, se revela o desenvolvimento, o sentimento vira amor e a semente vira fruto.
Vinicius Meireles
11/03/10
Um casal no fim de semana
Postado em Análise Fotográfica com as tags "fim de semana", "jackson franco", "linha da vida", "literaturagara", "vinicius meireles", casal, criança, divorcio, empresário, filho, marido, mão, mulher, negocios, trabalho em março 6, 2010 por imaginandoimagensNum casarão requintado sempre limpo e organizado, numa grande cidade do Brasil, vivia há sete anos e sem filhos um casal: a mulher, de família rica e tradicional e o marido, empresário.
Por conta das atividades sociais dela e das reuniões de negócios dele, conviviam apenas nos finais de semana.
Uma noite ela informou ao marido, altivamente:
- O casal Rodrigues Prado nos convidou para Búzios e eu irei!
- Pode ir que tenho trabalho no fim de semana (mal desviando a vista do jornal de negócios).
E ela viajou sozinha.
No sábado à noite ele foi tomar uns drinques com alguns amigos e conheceu uma mulher simpática, simples e charmosa.
Um ano depois, já divorciado, abraçava e beijava a sua nova e charmosa mulher que arrumava o quarto para o primeiro filho deles.
Por Jackson Franco
http://literaturagara.blogspot.com/2008/12/um-casal-no-fim-de-semana.html
O Bom Ladrão
Postado em Artes Plásticas com as tags "bom ladrão", "jean genet", "nossa senhora das flores", arte, boca, calvície, cinismo, criatura, cristo, delícia, desenho, divina, dor, faces, fome, homem, imagem, leito, literata, literatura, luxúria, marginal, mártir, obra, personagem, pose, prazer, preconceito, presídio, querelle, rabisco, reprodução, santo, semblante, sociedade, sofrimento, sombra, vida em fevereiro 28, 2010 por imaginandoimagens
A figura de Saint Genet me inspirou a falar de Literatura e Arte. Pois, ao falar de imagem, estou tomando ares de literata. Apenas ares, pois um semblante como o desta criatura, debochado, eu nem me atrevo a desempenhar.
Sua obra é pouco conhecida, já que eu dificilmente encontro pessoas que se desdobrem sobre a mesma. Marginal, Genet não procurou os meios convencionais para se dignificar como um homem. Muitos o imaginam com a alcunha de “santo” pois se há uma canonização em torno de sua aura, esta se deu através do sofrimento e da rejeição aos valores comuns da sociedade..
Sendo assim, que vemos neste rabisco acima? Uma expressão de pouco caso com o momento da pose. Apesar de se tratar de uma mera reprodução, percebemos nela elementos característicos de Jean Genet: a boca fina e turva que indica seu cinismo, a calvície prematura que o confere uma faces mais maturo ao que de fato é, um cenho um tanto franzido da altivez de muitos dos seus personagens ( Querelle, Divina, Nossa Sra. Das Flores, entre outros) e, restando por último, um traço que faço questão de utilizar mais um parágrafo.
Muitas das sombras de profundidade do presente desenho revelariam marcas do sofrimento que Genet suportou como ninguém. Sua aparência é um tanto quanto ridícula, mas há muito na feição desse homem que o eleva a patamares que poucos alcançaram na Arte. Quem poderia ter enfrentado a fome, o preconceito, a vida nas ruas e nos presídios como o nosso Bom Ladrão em questão?
Ao lado de Cristo, não sei se esse santo hoje em dia repousa, mas tal mártir possivelmente dormiria em leitos de luxúria e prazer como nos instantes de ápice que seus personagens representaram para nós. A nossa imaginação é como este rabisco: reverencia o Homem, no entanto suas imperfeições não abalam a imagem do que ele é. Ele, mais do que ninguém, nos dá o exemplo da delícia e da dor de optar por viver os próprios sonhos e não os sonhos de outrem.
Vinicius Meireles
27/02/2010










